O Porteño de Sempre

31/10/2014

Desde que comecei a olhar pra argentinos eu tenho o "meu". Uso aspas porque não é meu, mas é aquele carma, sabe?

Três anos que conheço o bendito. Três longos anos. O conheci quando tinha saído com outro argentino, um date péssimo na real. A minha primeira impressão do carma foi "ual, ele é lindo" mas ao mesmo tempo terrível, me tratou mal, meio esnobe. Depois, porque frequentávamos os mesmos lugares, me adicionou magicamente no facebook (até hoje não sei como porque nunca havia dito meu nome pra ele, mas ok). Ele namorava na época uma mina. 


O perdi de vista, por um ano e pouco. Mas sempre acompanhava as andanças dele por Buenos Aires e ainda que não seja stalker a gente acaba sabendo onde o fulano vai ou deixa de ir, né? E um dia topei com ele em um evento - no qual eu também estava acompanhada de um argentino (mais chato que o outro, por sinal) e ele simplesmente ficou assim ó: duas horas falando conosco ainda que por regras não era bem-vindo. Eu não liguei. Comentamos sobre coisas que gostávamos como se fossemos velhos conhecidos e como nunca havíamos feito antes. E quando o vi novamente me lembrei porque eu tinha gostado dele. Fu***.

Depois dessa noite começamos a nos falar muito, bastante mesmo. Todos os dias. Mas porque quando a gente gosta fica besta? Eu sou assim, minhas amigas brigam comigo sempre, estou tratando, ok? Enfim, eu acho que comecei errado desde aí: não deveria ter virado amiga, é mais difícil. Mas achei que era o correto na época. Tão amigos que além de nos falarmos direto, quisemos ter um projeto juntos e algumas vezes ele me ligava pra me acordar. Era meio viciante essa dependência dele. 

Mas sempre o achei duro. Mais histérico que a maioria dos argentinos que conheci. Mas encantador também: inteligente, sarcástico, intenso. Senti tanto essa incerteza nele que acabei recuando por não saber onde estava pisando e achei que era arriscado demais jogar sujeira no ventilador. Houveram muitos momentos nos quais acreditei que era questão de tempo. Fuen. Outros momentos que acreditei que era falta de bebida. Fuen. E outros que achei que era porque sempre estávamos com amigos, só uma vez peguei um táxi com ele sozinha. Fuen. Daí desisti. Sabia que aquilo que eu sentia era por estar afim e também por não entender ele, nada mesmo.


Desisti não desistindo. Deixava as coisas rolarem. Mas nunca rolou nada além de indiretas bobas e que poderiam ser de brincadeira, a verdade é que hoje eu já não sei mais. Podia ser efeito da bebida e também podia ser efeito da histeria argentina, who knows?

Sei que houve uma tensão um certo dia provocada, acredito eu, por ciúmes. E depois dessa tensão nos afastamos, mas nunca esclarecemos nada. No meio disso cada um ficou na sua, até que brigamos e ficamos meses sem nos falar. Mas não foi briga, deixamos de nos falar seguido de troca de ofensas não ditas um na cara do outro, mas sempre por intermédio de pessoas entre a gente. 

Minto se disser que não queria ligar pra ele pra saber o que havia ocorrido e minto também que não tentei enviar aquela mensagem no whatsapp. Mas argentino é histérico, tanto que eu tinha mais receio da reação dele do que de outra coisa. E sei também que fui orgulhosa. Acontece que um dia bebi e mandei e ele me respondeu. E a gente se resolveu, depois de bastante tempo. Mas não quero nem vou voltar a ser aquela amiga, ainda que faça falta. Porque se for pra começar de novo, vamos esclarecer os pontos e mostrar que histeria é um pé no saco, que drama é bom para conquistar e que se é pra rolar que role.

Tudo isso pra dizer que quando eu digo que os caras aqui são dramáticos e histéricos e mal resolvidos, é verdade. E por isso a gente vai pro bar né? Hahah. Bom finde.

And Set Herself Free ★

29/10/2014

Meu post hoje é um pouco diferente. Diferente porque como disse uns dias atrás tem dias que não tenho inspiração para escrever e isso é normal quando você bloga, ainda mais quando você bloga tanto quanto eu estava acostumada a blogar.

Esses dias tem sido de muita resolução na minha vida, ahaha quem vê até parece. Mas a real é que ando pensando bastante no que eu quero fazer daqui em diante e além de saber que amo escrever e o blog não me proporciona o financeiro necessário pra fazer só isso, eu sei que ele é um portfólio legal para futuros trabalhos que podem sair daqui. E um portfólio tem que ser levado a sério né? Por isso o que vocês podem esperar daqui em diante...

- Menor quantidade de posts. Eu já não vinha postando com tanta frequência né? Primeiro porque eu tenho uma vida, depois porque eu já fiz muito post e terceiro porque estava sem inspiração. Mas a ideia de ter menos posts é ter mais qualidade porque eu sou dessas que prefere menos mas que seja ótimo. Falo isso por fotos, precisão de detalhes, leitura gostosa. Quando eu percebi, em posts anteriores, que estava escrevendo por escrever e colocando fotos que não eram minhas, me dei conta de que estava perdendo o foco do que eu queria.

- Mais posts críticos. É eu sei que nem tudo é bom sempre e sei que não é porque eu fui que quando você for vai ser excelente. Também não é minha intenção enganar vocês. Logo, vou passar a ser mais crítica. Antes eu deixava de postar porque não tinha gostado, hoje eu vou passar a postar mas não pra acabar com o lugar mas, sim dando minha opinião no que eu acho que poderia melhorar.


- Sobre os posts de comportamento e homens porteños. Tenho recebido muitos pedidos pra voltar a fazer. Acontece que nem sempre estou disposta a ouvir o que críticas. Digo isso porque sempre que eu posto tem gente que fala mal de mim ou reclama do meu jeito de ser. Estar na internet é abrir bastante tua vida pessoal e estar vulnerável a esse tipo de coisa. E nem sempre eu quero ficar chateada né? Tenho que estar de bom humor pra isso ehehe, portanto, os posts vão voltar. Mas só de vez em quando.

- Mais uso do Instagram e Facebook. Isso vai ser assim porque nem sempre eu tenho tempo para postar direitinho aqui no blog, então acompanhar as redes sociais é mais vantajoso porque eu sempre estou com o celular e a medida que vou fazendo minhas coisinhas do cotidiano vou postando fotos, seguido de algumas dicas. E o que eu acho mais legal disso é que: são lugares que eu realmente vou e se eu vou é porque, no mínimo, eu gosto, né? Logo fiquem mais atentos ao Insta e ao Face.

Tudo isso pra melhorar também minha comunicação aqui com vocês!

Curtiram, dúvidas? Beijos.

3 Lugares Deli por Belgrano

27/10/2014

Comentei aqui já algumas vezes que eu morei por 6 anos em Belgrano. Basicamente desde o momento que desembarquei no aero aqui até o dia no qual meus pais foram embora eu finquei minha vida no bairro. Depois vim morar pra minha paixão de sempre, Palermo.
Belgrano, pra mim, me trás muitas recordações gostosas. Principalmente porque foi meu primeiro contato com Buenos Aires, onde fui muito feliz e, também, muito triste em algumas ocasiões. Passei um longo período sem pisar por lá e a minha grande surpresa foi ver então como o bairro floresceu: cafés, lojas, restaurantes. Belgrano nunca foi conhecido por ser um bairro de grande oferta gastronômica nem nada disso, e sim um bairro bem tranquilo e de família com boas escolas e qualidade de vida. 

 

É normal caminhar pelo bairro e ver velhinhos e apartamentos antigos, isso porque a região está um pouco parada no tempo, logo o bairro é de famílias grandes mesmo, os jovens que tem por lá são jovens que ainda moram com os pais e é difícil ver gente morando sozinha (pelo mesmo fato de que não ha aps novos e pequenos). Eu considero muito Belgrano para quem vem morar aqui em família, acho que melhor localidade não há. 

Les Croquants
A casa de macarons e cupcakes aclamada e querida de Colegiales abriu uma filial no bairro. Ainda que a matriz seja mais linda essa ainda está com cara de novinha e fofa, com decoração em tons pasteis e aquele cheiro de massa recém feita que faz com que ninguém queira sair de lá de dentro.


Eu curto bastante as coisinhas que eles vendem, principalmente as bolachas recheadas que vem em saquinhos de vários sabores diferentes (se bem são gordas e consistentes, eu comeria o pacote inteiro) tipo limão, avela, chocolate, frambuesa e etc.

 

Os cupcakes: não tem muita variedade e já comi uns secos determinado dia que fui mas, no geral, são frescos e bem molhadinhos dentro. O de limão e o de blueberries são meus preferidos já que ando evitando coisas muito doces (tipo chocolate com recheio de chocolate e doce de leite com recheio de chocolate e cobertura de chocolate, por exemplo).

 

Na casa dos macarons eles também se defendem bem, levando em conta de que é uma das massas mais difíceis de acertar o ponto eu acho que o do Les vale a prova, o de avela é bem saboroso.


El Viejo Oso
De certo é minha casa de chocolates preferida aqui em Buenos Aires. Sei que há outras melhores (ou que poderiam ser melhores), mas tenho carinho especial por essa. É uma loja simples, não é luxuosa e tem que ficar atento ao horário de atendimento mas a Viejo Oso tem umas trufas de babar. O que eu acho que realmente peca lá é o fato de ter pouca quantidade pra variedade que eles oferecem, digo isso porque eu sou alucinada pelas trufas de avelã (já viram que eu amo avelã, né?) e chocolate meio amargo e já fui diversas vezes lá e eles não tinham porque haviam acabado, fuen.


As barras são bem gostosas também e há vários tipos de presentes que você pode comprar por lá, atenção para o prazo de validade.


Vasalissa
Outra casa de chocolates. O que a Vasalissa tem que o Viejo Oso deixa a desejar é o conceito, uma vez que você entra na loja se sente dentro de uma caixa de joias gigante tamanho cuidado e delicadeza na decoração. Eu já falei dela aqui antes, mas o lugar é uma boutique mesmo com cuidado fino e elegante em cada detalhe colocado lá, cada bombom é tratado como uma peça de arte importante. Me lembra muito Versailles.


O fato do Viejo Oso levar meu coração não significa que as trufas da Vasalissa sejam ruins, eu acho que a qualidade do Viejo é melhor mas se você quer algo que esbanje conceito E (muito importante) experiência, a Vasalissa merece atenção. As trufas são gostosas e os chocolates também, e o que eu tenho curtido neles em épocas de calor são os sorvetes de palito em formato de coração, um charme a parte.


Les Croquants/// www.lescroquants.com.arFacebook - La Pampa 2112.
Viejo Oso/// Facebook - La Pampa 2120.
Vasalissa/// www.vasalissa.comwww.facebook.com/Vasalissa - Vuelta de Obligado 1812.

Coloquei só esses porque queria ser sincera ao falar sobre cada um, mas quero ainda fazer outro post citando alguns cafés por lá e também restaurantes. Boa segunda!

Das Coisas que Aprendi em Buenos: A Ficar Sozinha

24/10/2014

Essa semana não tive muita inspiração para escrever. De vez em quando sinto que o blog vira uma obrigação e parece, sou sincera, que perco o tesão quando assim o vejo. Aceitei que quero esse cantinho aqui para me divertir com vocês, meio que abri mão da busca incessável por ganhar dinheiro através dele e por viver só disso. 

Aí hoje eu fui à um café que eu adoro aqui, pertinho de casa, o Lattente. Eu sempre vou lá, sabe quando você se sente bem em um lugar? Não tenho nenhum tipo de amizade com os donos, muito menos com o pessoal que frequenta. Sim, eles já sabem quem eu sou porque vou muito e o espaço é pequeno, além de ser atendido pelos proprietários. 

Eu adoro sentar lá e pedir um Flatt White por exemplo, ou um Cappucino. Adoro comer a espuma cremosa que só eles sabem fazer. Adoro poder sentar ali e aproveitar aquele momento. Sozinha. Muita coisa vem passando pela minha cabeça ultimamente. Muita mesmo. E sempre acho que ali eu posso reunir minhas ideias, bagunçadas em formato de brainstorming. E mesmo que eu saia de lá com mais dúvidas de que quando eu cheguei, eu acho que serve para demonstrar a mim  mesma que a vida é isso, uma bagunça.



Fui esses dias em uma mulher que lê tarot. Nunca havia feito isso na vida. Apesar de achar que tudo o que ela me disse soou bem controverso, algo que ela acertou em cheio foi o fato de eu ser uma pessoa que gosta de estar sozinha por opção. Que precisa de momentos de solidão escolhida. E que isso não é errado. É meu, da minha personalidade.

Sempre fui mais calada, séria. Até brinco que a Amanda da vida real não se parece muito com a do blog, mas as palavras escritas fluem melhor pra mim. De verdade. Eu, muitas vezes, não sei expressar vocalmente o que meus dedos conseguem digitar ou escrever.

Das inúmeras coisas que Buenos me ensinou foi então, a aceitar que eu posso ficar sozinha quanto tempo eu quiser, dentro de um padrão socialmente saudável. Que não tem nada de errado me sentar em um restaurante sozinha e pedir algo que eu gosto, ouvindo meus pensamentos. Que não tem nada de errado ir ao Lattente, por exemplo, e pegar um caderno e escrever, ter ideias para próximos projetos. Não há mal em ir a um bar sozinha, não por demonstrar que sou fodona e me sento a barra sozinha, mas porque é uma maneira que eu tenho de relaxar. Aprendi em Buenos que mais importante que qualquer relação social a que mais vale a pena (e também mais difícil de se conquistar) é admirar-se a si mesmo. Clichê e meio bocó soa né? Mas é isso, gente. No final das contas é tua vida, tua vontade, teu passo, teu sonho e de mais ninguém.


Que isso não soe antissocial porque não é verdade. No começo sentia um certo medo de gostar tanto de ficar sozinha que poderia ser seletiva demais em deixar as pessoas entrarem na minha vida. Viagens, por exemplo, fui fazer a primeira com uma amiga para Salta. Até então era tudo sozinha e é bom, e com a amiga foi bom também. Mas um bom diferente. 

Ninguém é mais ou menos por fazer mais ou menos coisas acompanhada/ o. Mas algo que eu ainda luto é que outras pessoas entendam que o fato de curtir estar na minha, não significa não querer estar com alguém. Acho no entanto, e desculpem a sinceridade, meio brasileiro demais pensar que você tem que estar acompanhada 24h. Que pais fiquem chateados por você preferir ter teu próprio cantinho é meio normal, passei algo parecido com minha família e não tenho vergonha de falar que ainda não é um problema totalmente resolvido, mas a nossa relação melhorou demais, eu cresci muito e hoje eles entendem que eu posso ir para qualquer lugar sozinha que vai estar tudo bem.

Obrigada Bue, por me ensinar que a vida sozinha também é bonita. Bom finde.
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