Das coisas que Aprendi em Buenos Aires: Aceitação

8 de ago de 2014

Vou começar uma série de posts intitulados: "Das Coisas que Aprendi em Buenos Aires". Não sei ao certo quantas coisas serão, podem ser muitas ou poucas, mas são sinceras.

Quase completando uma década aqui é difícil ver Bue como uma experiência de vivência no exterior, isso se dá muito pelo fato de não lembrar quase da minha vida em SP, aliás realmente me lembro pouco. Lembro das festinhas de 15 anos, as raras que eu fui, me lembro das comidinhas de domingo na casa dos meus avós, enfim: flashes.

Tanta coisa aconteceu nesse tempo que eu nao vejo mais Buenos Aires como uma coisa rara, vejo como minha casa. E sendo minha casa eu posso dizer que é pra onde eu venho quando sinto que preciso me encontrar, e é também onde eu sinto que tenho vontade de fugir para aprender coisas novas. É normal.

Hoje eu tenho 24 anos e BUE vem sido a cidade que mais tempo eu morei na vida, que mais aprendi. Dentro das várias coisas que agreguei em mim, muito pela minha vivencia aqui, foi a aceitação.

Aceitar quer dizer receber de boa vontade aquilo que é oferecido, é também suportar, admitir a contragosto. Aceitei desde o começo (a contragosto) que viria morar aqui, mesmo não querendo. Aceito hoje que minha experiência de vida pede algo diferente. Aceito que muita coisa ainda não entendo, e aceito que para outras eu sou uma argentina mais.

Aprendi a aceitar situações que eu não podia controlar: falta de gás no meu prédio, a enrolação da minha faculdade, a falta de paciência por parte de mais da metade da população da cidade, a entender que a farinha aqui é diferente e que por isso eu engordo mais fácil, que por mais que eu não queira bebo mais porque a cidade tem bares incríveis, que a politicagem é f*** e que o peso não vale nada.

Argentino é dramático e por drama, aceita isso de boa vontade, "somos así, viste? Qué se va a hacer? No hay vuelta". Acho que aceitar que pra eles algumas situações são impossíveis de serem resolvidas foi o mais difícil. Porque tudo é um drama e tudo é exagerado, até o sol que está batendo na minha cara aqui enquanto eu escrevo esse post é motivo de queixa da menina que está do meu lado: dizendo para o gerente do café que cortinas devem ser provistas para evitar tal aborrecimento. Sério, é necessário? Não, mas aceitei que é assim, e que sempre vai ser e que enfim, não tenho controle sobre isso.

Aprendi a aceitar que ninguém vai fazer por mim o que eu preciso fazer. Que as coisas só vão acontecer do meu jeito se eu me mexer.

Aceitei que Buenos Aires tem muito a aprender e que São Paulo também. Aceito a distancia ente as duas cidades e aceito que meu coração a cada hora quer estar em algumas delas ou em nenhuma. E eu me aceitei. Buenos Aires, de alguma maneira, me faz e fez enxergar quem eu sou de verdade, o que eu quero da vida, o que eu odeio e amo.

Buenos me permite ser livre, mas isso é o próximo post das coisas que aprendi aqui.
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