O lado não contado sobre morar em outro país

4 de set de 2013

É tem que ser sincera, morar longe de casa tem seus muitos prós e contras também. Aqui a parte que ninguém te conta mas você tem que saber antes de se jogar:

Domingos são insuportáveis
É, não tem jeito. Final de semana é o UÓ, a fossa. Sábado até que passa desapercebido, se você sai na sexta de noite e levanta na ressaca, passa o sábado na cama, depois vai pro parque etc. Domingo também pode ser do mesmo jeito, mas bate aquela depre no final do dia. Dicas? Deixa pro domingo tudo de pendente na casa para fazer: lavar roupa, organizar quarto, limpar coisinhas, etc. Ocupa teu dia. E sempre marca um café, mate a tarde. Passa mais rápido.

Você passa a escolher amigos
Isso é algo que eu tinha medo quando comecei minha vida aqui. Sabia que no decorrer dos anos poucos amigos do Brasil ficariam. E foi real. No começo eu tentei manter a amizade a distância, mas com o passar do tempo isso foi ficando cada vez mais difícil: a gente muda tanto e sente a necessidade de encontrar amigos por afinidades. Eu tenho poucos amigos que deixei em São Paulo e que amo demais, mas aqui eu tenho outro tipo de amizade, aquela que é mais parecida comigo. Notei que eu cresci tanto e que as pessoas que eu convivia lá não eram já tão compatíveis comigo, a gente aprende a dar valor pra quem nos aceita e vice-versa, né?

Tem nada de errado sentar sozinha num bar.

Troca de valores
Você aprende, de um jeito ou outro que se não lavou roupa, não tem o que vestir. Se não foi ao mercado, não tem o que comer. Que almoçar fora todos os dias é um belo de um gasto e que você nunca vai deixar tua roupa com o cheiro que a tua mãe deixava quando lavava. Paciência, você adapta. Mas do mesmo jeito você vai notar que um simples Skype com a família durante semana é uma renovação de energia.

Bem Estar
Eu acho, acho não, tenho certeza, de que pra mudar de país você tem que se amar. Estar bem consigo memso. Não te muda se você não se ama, vai ter que aceitar que vão haver dias em que você vai estar sozinha e que você vai querer colo dos pais, mas vai estar longe. Vão ter momentos de baixo astral, mas que tendo paciência, serão passageiros. Te cuida antes de te mudar.

É Necessário
Mudar para outro país, morar só é necessário. Não junta com um cara/ mulher, antes de viver isso. Você aprende a se conhecer, a se aceitar, a entender o que há de mais importante na vida. E se depois disso você quiser mudar com alguém, vai ser a hora certa.

Vai cozinhar se bater a deprê.

A Carência é Perigosa
É sim, tenta separa a carência da solidão. Tem que aprender a estar sozinha também. E se você não aguenta tem que tomar cuidado com as pessoas que conhece. Sei de muita menina que levou pra casa um cara que conheceu na night sem nem saber o nome do próprio, é perigoso. Não faça isso (:

No Final Vale a Pena
Mesmo depois de tudo isso você vai ser mais livre: te permitir viver fora da bolha, fora da caixinha, sentir medo, chorar de noite, botar pijama e ver séries num sábado a noite, não é errado. É normal, é humano. Depois você conhece algum povo legal e tua vida volta ao normal. Não tenha receio de falar com quem for, arrisca, afinal você saiu da tua casa, do teu conforto, pra isso. Eu realmente não entendo quem se dispõe a sair de casa e viver na mesmice. Abrace a cultura local, sinta a diferença, não compare, não reclame de tudo, só da água que é salgada ou do trânsito, mas ame a diversidade. Te permita ser você, livre.

Consultório da Amanda, nesse guiché, pfvr.

16 comentários

  1. Engraçado que muitas dessas situações vc vivencia também quando vai morar sozinha sem sair do país. Eu já moro sozinha há 8 anos, vim pra uma cidade desconhecida e tal e me vi em muitas das situações que você narrou. Manter amigos é mesmo difícil, as roupas não ficam cheirosas iguais às da mãe... enfim, o lance de se virar é a pura verdade. Sendo aí em Buenos, em NY, Paris ou São Paulo, sair do ninho dos pais é uma experiência enriquecedora e um aprendizado de vida. Ótimo post!

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  2. A do domingo é ótima...rs..É bem assim mesmo, deprê total. Eu sempre inventava alguma coisa domingo, saía..ou fazia faxina. Funciona. Agora já passou, já acostumei, aprendi a aproveitar minha vida aqui, meus amigos, meu tempo!

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  3. Acho que você está descrevendo mais a experiência de morar sozinha do que a de mudar de país.
    Tudo isso você pode sentir estando no estado vizinho.

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  4. Sei bem o que é isso. E mesmo mudando para apenas 80kms e SP, meus amigos me abandonaram.
    Mesmo os mais queridos, mais presentes, se afastaram. Como se só eu tivesse obrigação de visitá-los, não eles...
    E amigos, de verdade, a gente precisa por perto - tanto para rir quanto para dar/ganhar colo.

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  5. Lindo o post.. quem viveu isso sentiu um aperto no coração, parabéns!!!! Lembre-se q para quem fica tb é muito difícil... tenho certeza q nos fins de semana e nas datas comemorativas a família que fica, sente a mesma coisa. Meu irmão morou em Portugal por 3 anos e me lembro que no primeiro Natal sem ele aqui, eu comemorei no horário de lá... na época 22:30 h e depois fui dormir pq não queria mais ficar acordada comemorando nada...
    É importante entender que é difícil para todo mundo... quem vai e quem fica. É um dor conjunta em prol de um bem maior!!!

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  6. Puxa, realmente é uma verdade essa coisa de morar sozinho antes de se juntar a alguém. Isso é válido para todo mundo, mesmo os que não mudaram de cidade. Sair da casa dos pais para parar na casa de um marido/namorado não é o ideal. Essa descoberta de identidade é muito importante: fazer as coisas do seu jeito, quando você quiser e se você quiser. É o conselho que eu dou para todas as meninas da minha idade que dizem que já querem se casar ou coisa do tipo. Eu não fiz isso, e sei agora o preço que estou pagando.

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  7. Morar fora do país é uma mudança desafiadora, mas requer o mínimo de inteligência emocional. Antes de tomar a decisão e sair da zona de conforto é importante auto-avaliar-se para reconhecer as próprias limitações e pontos fortes. Também acho fundamental estar seguro dentro do objetivo da experiência e preparado para o impacto inicial. Acredito que com esses cuidados, fique mais difícil desistir da nova vida no meio do caminho.

    Amanda, eu sou Carol Maia, jornalista da revista digital Observatório Feminino. Há algum tempo já acompanhamos o trabalho do Buenos Aires Para Chicas e achamos o padrão editorial de vocês bem interessante. Envio o nosso link para que também possa conhecer o nosso trabalho: http://observatoriofeminino.blog.br/

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  8. Vc resgatou questões que as pessoas sempre destinam às profundezas do viver quando elas, na realidade, estão mais às margens do que se percebe e, isso, tanto quanto no morar só, aqui ou acolá, são percepções que a magia da vida nos convida a vivenciar de dentro para fora e de fora para dentro, de nós mesmos. Parabéns e obrigado por externar essas percepções nessas ricas reflexões.

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  9. Oi! Gostei muito das suas reflexões, são verdadeiras mesmo. Gostaria de saber se o custo de vida em Buenos Aires é mais caro que no Brasil?

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  10. Poxa isso é tão verdade, eu estou indo para estudar, espero poder encontrar amigos lá, estou me preparando bem para isso =D

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  11. gostei demais do texto. Estou passando por isso exatamente agora. Me mudei pro México faz um dia, e fico por 5 meses para estudar. Passei o ano novo longe da família e tenho vontade de chorar a toda hora. A gente aprende que não há lugar melhor no mundo do que o nosso ninho, nossa família.

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  12. Engraçado, eu sempre me imagino morando sozinho, é o meu sonho, mas consigo me imaginar sentindo falta das minha família de casa, pai, mãe e irmão, e o gato agr rsrs, é estranho. Por um lado eu sinto que eu tenho muita resistência emocional para tal, posso não aguentar a distância e querer voltar, só fazendo e ver se isso é possível.
    Adoro o Brasil, mas é um país que não me orgulha, quero conhecer o mundo.

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  13. Obrigada por fazer a vida parecer possível (e me lembrar o quanto pode ser incrível). <3
    Tô amando seu blog, você tem sensibilidade pra falar de questões que realmente pegam nesse tipo de escolha. Dá pra sentir a sua sinceridade.

    Graciaaaaas <3

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