Falar bem espanhol é muito legal, porque espanhol é (vamos combinar) bastante sedutor (as mina, principalmente, pira). Mas cada um tem um tempo de aprendizado, há pessoas que tem facilidade para o idioma e outras não, assim como muitos conseguem falar bem e com sotaque em dois meses e outros, mesmo após anos de estudos, ainda não puxam o som.
Eu, por exemplo, nunca tinha aprendido espanhol além do que o Ensino Fundamental me ensinou - que era bem fraco - e o que eu aprendi em um mês de intensivo com uma professora chilena. Eu sempre odiei espanhol e amava inglês. Logo, foi mais complicado porque eu tive que me encantar primeiro, pelo idioma.
Chegando em Buenos Aires eu não entendia nada. Nem o "hola", ainda que você pense que a aula da chilena tenha ajudado, você vai notar que espanhol MUDA MUITO de um país para o outro. E foi assim, aprendi na marra mesmo, frequentando aulas em espanhol, tirando zero em gramática e ortografia, e tendo que me virar todos os dias. Mas eu aprendi a amar a língua com o tempo.
Em dois meses eu já sabia conjugar bem os verbos e como eu prestava muita atenção nas gírias, até colocava algumas no meio das frases que eu usava. Mas o sotaque era quase impossível.
Passei a ver muitos filmes e a ouvir muita música, que de fato me ajudou demais. Principalmente música, até brinco que Alejandro Sánz era meu
Falar mesmo com sotaque e podendo, algumas vezes, passar por argentina só foi acontecer uns 2 anos depois. Já puxava o ll para x, assim como y também. Outra coisa que me ajudou a falar mais argentinizado foi a escutar a melodia dos italianos. Se você prestar atenção, vai ver que a música dos argentinos falando é a mesma que a dos italianos, de verdade. Não estou louca.
Outra maneira, foi indo atrás de locais que estavam com vontade de aprender português. Assim a gente trocava: metade do tempo falava em português, na outra metade em espanhol. É legal porque assim um ajuda o outro e ninguém te julga por saber mais ou menos. E ainda você se diverte.
No mais, é perder a timidez. Arriscar mesmo com cara e coragem e não se prender somente a escolas e livros que, ainda que sejam fundamentais, não são tudo. Se misturar com as pessoas é o que mais vai trazer riqueza ao vocabulário, ir ao mercado, anotar palavras difíceis e tentar incorporar as mesmas no cotidiano é tarefa obrigatória de quem quer aprender direitinho.
Existem muitas escolas que dão conversação, mas veja se vale a pena: pagar caro num grupo no qual a professora não é nativa, dificilmente, te agrega em algo. Vai te ajudar, obviamente, mas nada melhor que aprender com locais. Tente ir atrás de professores nativos, mesmo. Nada adianta, por exemplo, você aprender a conjugar o vosotros, se raramente, você vai usar a denominação. De verdade.
Talvez o que a maior parte das escolas façam de errado é isso: se afincar num vocabulário e numa linguagem que não é atualizada. Lembre-se que você tem que aprender a se comunicar bem, não a ser uma máquina tradutora com viva voz. Porque pra isso, nós temos o Google Traductor. Dale?
A seguir o modelo de ensino que me ajudou, além das aulas com locais:
- Alejandro Sanz. ÍDOLO, foi excelente. Você me ajudou demais, te juro. Até me enamoré de vos, pero vivís lejos.
- Shakira. JURO que deu maior orgulho aprender a cantar Estoy Aquí...
... e também o minuto 1:10 de La Tortura.
Shakira, volvé a ser lo que eras, porque Antologia es de las canciones más lindas que hay.
- Maná. Além das músicas serem fofas, dá pra entender tudo.
- Diego Torres. Dica da minha irmã, ela o ouvia demais no colégio e as músicas dele são amadas demais pelos argentinos. E ela ainda falou que foi ao show dele e que "ele é top" hahaha.
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- Julieta Venegas. Quem não entender o que ela fala, tá lascado.
E JURO, você vai entender tudo de reggaeton. Só não sei se é bom...
Você vai se acostumar ao ritmo veloz - dos argentinos, principalmente - na hora de falar. Ler e escrever vai tirar de letra, porque sempre é mais fácil. Mas você vai saber MESMO espanhol quando souber diferenciar sotaques: venezuelano não é o mesmo que colombiano que não é o mesmo que chileno ou peruano ou paraguaio, boliviano, mexicano ou das ilhas do Caribe e etc. Rapidamente você vai notar que o sotaque argentino é o mais fácil de identificar de todos, mas é muito parecido com o uruguaio.
E, fundamental: você vai notar como o Brasil é uma ilha da América Latina, e um dos motivos é o idioma. Sabendo espanhol você sai pela América Latina inteira, compartilham-se as mesmas músicas e parece que há, de verdade, irmandade. Acho que espanhol deveria ter muito mais importância no ensino brasileiro.
Y todo en castellano es más lindo!












